segunda-feira, 13 de junho de 2011

Pequenas práticas sustentáveis

A sustentabilidade das micro e pequenas empresas é uma tendência que tem tudo para se transformar numa rotina saudável, conforme já exposto em um artigo recente. Mas quais práticas sustentáveis podem e devem ser adotadas pelas micro e pequenas empresas? Serão necessários grandes investimentos para isto? Quais os benefícios que as empresas poderão ter, além do aspecto de defesa ambiental? Vejamos tais questões.

Inicialmente a adoção de práticas sustentáveis não significa altos investimentos, pelo contrário, podem representar até mesmo diminuição de despesas para as empresas.

Um exemplo é o uso racional de energia elétrica e de combustíveis por parte de tais empresas. O simples gesto de desligar aparelhos da tomada de energia quando não estão sendo utilizados representa uma redução na conta de energia elétrica, uma vez que muitos desses aparelhos consomem energia pelo fato de estarem conectados mesmo estando sem uso, na condição conhecida como “stand by”. Outra prática sustentável relacionada com a economia de energia elétrica está na substituição de lâmpadas comum por aquelas do tipo econômicas, que possuem vida útil maior, além de consumirem menos.

Ainda, a uso racional dos veículos da empresa, definindo-se roteiros previamente definidos, utilizando-se um mínimo de logística também é uma pratica sustentável que resulta em economia para a empresa.

Outra questão é a utilização de materiais de embalagens recicláveis ou retornáveis, como é o caso substituição das sacolas plásticas em mercearias e supermercados por modelos reutilizáveis, também conhecidas como eco bags, que possam ser adquiridas pelos consumidores e utilizadas inúmeras vezes.

Também será interessante a aquisição de produtos e mercadorias no mercado local. Segundo estudiosos do assunto as empresas deveriam adquirir produtos ou mercadorias fabricados ou produzidos num raio de até 100 quilômetros da empresa, na medida do possível, de forma a reduzir o consumo de combustíveis gastos no seu transporte. Tal solução poderá ser ainda mais econômica quando se tratar de produtos importados em épocas de altas sucessivas do valor do dólar.
Além da economia que tais práticas podem propiciar, sua adoção e divulgação poderá ser um diferencial junto à parcela crescente de consumidores com consciência ambiental.
Boris Hermanson
Consultor Jurídico- Orientação Empresarial
SEBRAE-SP

domingo, 12 de junho de 2011

Entendendo a vantagem competitiva da sustentabilidade

Por Julianna Antunes

Em qualquer área de negócio muito se fala da importância da vantagem competitiva e no quanto ela traz rentabilidade para a empresa. Sabendo que a globalização derrubou os muros e acirrou os mercados, estar um passo à frente da concorrência pode significar, em muitos casos, a própria sobrevida da organização. Mas qual o significado real disso tudo? Por que a sustentabilidade corporativa é vista como vantagem competitiva?

Na sustentabilidade, muitas ações ou atitudes que foram inovadoras do passado, e depois de benchmarking viraram moda, hoje servem de base para leis e regulamentações que tornam o mercado cada dia mais restritivo. Um exemplo disso surgiu essa semana, quando o vice-governador do Rio de Janeiro sancionou uma lei que proíbe o uso de sacolas de plástico nos supermercados.

É claro que a lei não será aplicada de um dia para o outro e que todos os estabelecimentos terão tempo para adaptação. Mas pensemos na diferença entre quem já vem estimulando o uso das chamadas ecobags e em quem não se atentou ou ignorou a tendência: custo de adaptação à lei, busca de novos fornecedores (ou necessidade de adaptação dos atuais), negociação por melhores preços... e por aí vai.

Outro exemplo é a regulação da EU ETS (European Union Emission Trade Scheme), comissão que trata do comércio de emissão de carbono na Europa. Sob a supervisão da EU ETS, empresas de diversos setores têm suas emissões de carbono monitoradas e limitadas. Quando esse limite é atingido, elas precisam comprar permissão para novas emissões. Resumindo: poluir está cada vez mais caro. Empresas que se preocuparam no passado com a ecoeficiência dos processos, hoje estão prontas para as imposições do mercado e ainda podem lucrar com a comercialização de créditos de carbono.

Já falei aqui sobre duas diretivas européias que entraram em vigor recentemente, limitando o uso de determinadas substâncias na fabricação de equipamentos elétricos/eletrônicos (RoHS) e responsabilizando o fabricante pelo tratamento dos resíduos e descarte do produto (WEEE). Além delas há a REACH (Registration, Evaluation, and Anthorization of Chemicals), que trata do registro, avaliação e autorização de uso de produtos químicos.

Se pararmos para pensar, apesar das diretivas dizerem respeito apenas ao mercado europeu, elas impactam toda a cadeia produtiva, que nos dias de hoje é global. E mesmo que o produto seja, por exemplo, 100% brasileiro, terá de estar em conformidade com as diretivas caso queira ser comercializado na Europa (mais informações sobre a conformidade, clique aqui). Vale ressaltar também que já existe uma série de restrições do tipo nos EUA, Japão, Austrália e até mesmo na China. A pergunta é: quanto custa se adequar a essas diretivas agora? E quanto custou para quem percebeu isso antes?

As empresas hoje, principalmente as que têm fábricas em países em desenvolvimento, devem ter em mente que levar a operação para locais onde a legislação é mais amena já não resolve mais o problema. Restrições ambientais e sociais são tendência do mercado. Estar pronta para elas é o mínimo que se espera para permanecer no jogo. Se antecipar a elas é ter vantagem competitiva. E independente do estágio em que as empresas se encontram, estar em conformidade com as regulamentações é pré-requisito para todos que queiram competir num mundo que não comporta mais os excessos cometidos no passado.

Julianna Antunes é Jornalista, corredora de alto rendimento físico e baixo rendimento financeiro, pós-graduada em responsabilidade social empresarial e diretora da Agência de Sustentabilidade, consultoria estratégica de elaboração e implementação de projetos de sustentabilidade. E-mail para contato: sustentabilidade@sustentabilidadecorporativa.com - www.agenciadesustentabilidade.com.br - Blog: www.sustentabilidadecorporativa.com - Twitter: @sustentabilizar